Mike Ibrahim é um novo nome da música francesa que tem como influência a música brasileira — em especial Tom Jobim, Caetano Veloso e Djavan. A essas referências, se somam Steel Pulse, Bob Marley, Sade, Kassav, Sixième Continent, Third World, George Michael, Marvin Gaye e Stevie Wonder. Nascido na França e criado na Martinica, gravou em seu primeiro álbum apenas músicas em crioulo. Agora, cantando em francês, se destaca com La France Qui Se Lève Tôt. Gostou? Ouça mais em www.myspace.com/mikeibrahim.
A deportação de ciganos da França para a Romênia vem reacendendo o debate sobre racismo no país governado por Nicolas Sarkozy. Há cerca de um mês, centenas de ciganos deixaram o território francês no que seria um programa de "repatriação voluntária". No entanto, para o Comitê pela Eliminação da Discriminação Racial da Organização das Nações Unidas, existem indícios de que parte foi deportada "sem consentimento livre, completo e informado".
Os 18 especialistas que integram o comitê se dizem preocupados com o "avanço de discursos políticos de natureza discriminatória na França" e "o crescimento de manifestações de violência de caráter racista contra romenos". O governo, por sua vez, respondeu que "aceita a crítica, mas rejeita a caricatura". O argumento é o de que os ciganos desobedecem a ordem pública e provocam peso social sobre o país.
Expressão máxima da música francesa, Édith Piaf merece ser lembrada sempre — não somente em datas comemorativas, como nascimento (19 de dezembro de 1915) e morte (10 de outubro de 1963). Abaixo, estão os cinco maiores sucessos da cantora em música, vídeo, letra e tradução própria. Na ordem: La Vie en rose, Non, je ne regrette rien, Hymne à l'amour, La Foule e Milord.
La vie en rose
Des yeux qui font baiser les miens Olhos que fazem os meus se baixarem
Un rire qui se perd sur sa bouche Um riso que se perde em sua boca
Voilà le portrait sans retouche Aí está o retrato sem retoque
De l'homme auquel j'appartiens Do homem ao qual pertenço
Quand il me prend dans ses bras Quando ele me toma em seus braços
Il me parle tout bas Ele me fala baixinho
Je vois la vie en rose Eu vejo a vida cor-de-rosa
Il me dit des mots d'amour Ele me diz palavras de amor
Des mots de tous les jours Palavras de todos os dias
Et ça m'fait quelque chose E isso mexe comigo
Il est entré dans mon coeur Entrou no meu coração
Une part de bonheur Uma parte de felicidade
Dont je connais la cause Da qual eu sei a causa
C'est lui pour moi É ele por mim
Moi pour lui dans la vie Eu por ele na vida
Il me l'a dit, l'a juré Ele me disse, me jurou
Pour la vie Pela vida
Et dès que je l'aperçois E assim que eu o vejo
Alors je sens en moi Logo sinto em mim
Mon coeur qui bat Meu coração que bate
Des nuits d'amour à plus finir Noites de amor que não acabam mais
Un grand bonheur qui prend sa place Uma grande alegria que toma seu lugar
Les ennuis les chagrins s'effacent As chateações, as tristezas somem
Heureux, heureux à en mourir Feliz, feliz até morrer
Non, je ne regrette rien
Non, rien de rien Não, nada de nada
Non, je ne regrette rien Não, eu não lamento nada
Ni le bien qu'on m'a fait Nem o bem que me fizeram
Ni le mal tout ça m'est bien égal Nem o mal, tudo me é igual
Non, rien de rien Não, nada de nada
Non, je ne regrette rien Não, eu não lamento nada
C'est payé, balayé, oublié Está pago, varrido, esquecido
Je me fous du passé Eu me dano pro passado
Avec mes souvenirs Com minhas lembranças
J'ai allumé le feu Eu acendi o fogo
Mes chagrins, mes plaisirs Minhas dores, meus gozos
Je n'ai plus besoin d'eux Eu não preciso mais deles
Balayés les amours Varridos os amores
Et tous leurs trémolos E todos os seus vibratos
Balayés pour toujours Varridos para sempre
Je repars à zéro Eu volto ao zero
Non, rien de rien Não, nada de nada
Non, je ne regrette rien Não, eu não lamento nada
C'est payé, balayé, oublié Está pago, varrido, esquecido
Je me fous du passé Eu me dano pro passado
Non, rien de rien Não, nada de nada
Non, je ne regrette rien Não, eu não lamento nada
Car ma vie, car mes joies Pois minha vida, pois minhas alegrias
Aujourd'hui, ça commence avec toi Hoje, começam com você
Hymne à l'amour
Le ciel bleu sur nous peut s'effondrer O céu azul sobre nos pode desabar
Et la terre peut bien s'écrouler E a terra bem pode desmoronar
Peu m'importe si tu m'aimes Pouco me importa se você me ama
Je me fous du monde entier Eu me lixo para o mundo inteiro
Tant qu'l'amour inond'ra mes matins Desde que o amor inunde minhas manhãs
Tant que mon corps Desde que meu corpo
Frémira sous tes mains Esquente sob suas mãos
Peu m'importe les problèmes Pouco me importa os problemas
Mon amour puisque tu m'aimes Meu amor, pois você me ama
J'irais jusqu'au bout du monde Eu irei até o fim do mundo
Je me ferais teindre en blonde Eu me transformarei em loura
Si tu me le demandais Se você assim me pedir
J'irais décrocher la lune Eu irei apagar a lua
J'irais voler la fortune Eu irei roubar a fortuna
Si tu me le demandais Se você assim me pedir
Je renierais ma patrie Eu renegarei minha pátria
Je renierais mes amis Eu renegarei meus amigos
Si tu me le demandais Se você assim me pedir
On peut bien rire de moi Podem bem rir de mim
Je ferais n'importe quoi Eu farei não importa o quê
Si tu me le demandais Se você assim me pedir
Si un jour la vie t'arrache à moi Se um dia a vida de mim te arrancar
Si tu meurs que tu sois loin de moi Se você morrer, longe de mim ficar
Peu m'importe si tu m'aimes Pouco me importa se você me ama
Car moi je mourrais aussi Pois eu morrerei também
Nous aurons pour nous l'éternité Nós teremos para nós a eternidade
Dans le bleu de toute l'immensité No azul de toda a imensidão
Dans le ciel plus de problèmes No céu sem mais problemas
Mon amour crois-tu qu'on s'aime Meu amor, acredite que nós nos amamos
Dieu réunit ceux qui s'aiment Deus reúne os que se amam
La Foule
Je revois la ville en fête et en délire Eu revejo a cidade em festa e em delírio
Suffoquant sous le soleil et sous la joie Sufocando sob o sol e sol a alegria
Et j'entends dans la musique les cris, les rires E eu ouço na música os gritos, os risos
Qui éclatent et rebondissent autour de moi Que eclodem e ressoam em volta de mim
Et perdue parmi ces gens E perdida entre essa gente
Qui me bousculent Que me empurra
Étourdie, désemparée, je reste là Atordoada, desamparada, eu fico lá
Quand soudain je me retourne, il se recule Quando de repente eu me viro, ele recua
Et la foule vient me jeter E a multidão vem me lançar
Entre ses bras Entre seus braços
Emportés par la foule qui nous traîne Levados pela multidão que nos puxa
Nous entraîne Nos arrasta
Écrasés l'un contre l'autre Apertados um contra o outro
Nous ne formons qu'un seul corps Nós formamos um só corpo
Et le flot sans effort E a onda sem esforço
Nous pousse, enchaînés l'un et l'autre Nos conduz, algemados um ao outro
Et nous laisse tous deux E nos deixa
Épanouis, enivrés et heureux Radiantes, inebriados e felizes
Entraînés par la foule qui s'élance Arrastados pela multidão que avança
Et qui danse E que dança
Une folle farandole Uma louca farândola (dança da Provence)
Nos deux mains restent soudées Nossas mãos seguem soldadas
Et parfois soulevés E por vezes levantados
Nos deux corps enlacés s'envolent Nossos corpos entrelaçados voam
Et retombent tous deux E recaem ambos
Épanouis, enivrés et heureux Radiantes, inebriados e felizes
Et la joie éclaboussée par son sourire E a alegria espirrada por seu sorriso
Me transperce et rejaillit au fond de moi Me transpaça e jorra dentro de mim
Mais soudain Mas de repente
Je pousse un cri parmi les rires Eu solto um grito entre os risos
Quand la foule Quando a multidão
Vient l'arracher d'entre mes bras Vem lhe arrancar dos meus braços
Emportés par la foule qui nous traîne Levados pela multidão que nos puxa
Nous entraîne Nos arrasta
Nous éloigne l'un de l'autre Nos afasta um do outro
Je lutte et je me débats Eu luto e eu me debato
Mais le son de ma voix Mas o som da minha voz
S'étouffe dans les rires des autres É abafado pelos risos dos outros
Et je crie de douleur, de fureur et de rage E eu grito de dor, de fúria e de raiva
Et je pleure E eu choro
Entraînée par la foule qui s'élance Arrastados pela multidão que avança
Et qui danse E que dança
Une folle farandole Uma louca farândola
Je suis emportée au loin Eu sou levada para longe
Et je crispe mes poings E eu contorço meus punhos
Maudissant la foule qui me vole Amaldiçoando a multidão que me rouba
L'homme qu'elle m'avait donné O homem que ela me havia dado
Et que je n'ai jamais retrouvé E que eu jamais reencontrei
Milord
Allez, venez, Milord Venha, Milord
Vous asseoir à ma table Sentar-se à minha mesa
Il fait si froid, dehors Faz muito frio, aí fora
Ici c'est confortable Aqui, está confortável
Laissez-vous faire Milord Deixe-se levar, Milord
Et prenez bien vos aises E ponha à vontade
Vos peines sur mon coeur Suas dores sobre meu coração
Et vos pieds sur une chaise E seus pés sobre uma cadeira
Je vous connais, Milord Eu te conheço, Milord
Vous n'm'avez jamais vue Você nunca me viu
Je ne suis qu'une fille du port Eu sou apenas uma garota do porto
Qu'une ombre de la rue Apenas uma sombra da rua
Pourtant j'vous ai frôlé No entanto, eu esbarrei em você
Quand vous passiez hier Quando você passou ontem
Vous n'étiez pas peu fier Você não estava pouco satisfeito
Dame! Le ciel vous comblait Puxa, o céu lhe foi generoso
Votre foulard de soie Seu lenço de seda
Flottant sur vos épaules Flutuando sobre seus ombros
Vous aviez le beau rôle Você ganhou o papel principal
On aurait dit le roi Talvez de rei
Vous marchiez en vainqueur Você caminhava como um vencedor
Au bras d'une demoiselle De braço dado a uma donzela
Mon Dieu, qu'elle était belle Meu Deus, como ela era bela
J'en ai froid dans le coeur Meu coração gelou
Allez, venez, Milord Venha, Milord
Vous asseoir à ma table Sentar-se à minha mesa
Il fait si froid, dehors Faz muito frio, aí fora
Ici c'est confortable Aqui, está confortável
Laissez-vous faire, Milord Deixe-se levar, Milord
Et prenez bien vos aises E ponha à vontade
Vos peines sur mon coeur Suas dores sobre meu coração
Et vos pieds sur une chaise E seus pés sobre uma cadeira
Je vous connais, Milord Eu te conheço, Milord
Vous n'm'avez jamais vue Você nunca me viu
Je ne suis qu'une fille du port Eu sou apenas uma garota do porto
Qu'une ombre de la rue Apenas uma sombra da rua
Dire qu'il suffit parfois Dizer que às vezes basta
Qu'il y ait un navire Que haja um navio
Pour que tout se déchire Para que tudo se dilacere
Quand le navire s'en va Quando o navio se vai
Il emmenait avec lui Ele levava consigo
La douce aux yeux si tendres Sua paixão de olhos meigos
Qui n'a pas su comprendre Que não compreendeu
Qu'elle brisait votre vie Que estava destruindo sua vida
L'amour, ça fait pleurer O amor faz chorar
Comme quoi l'existence Assim como a existência
Ça vous donne toutes les chances Vos dá todas as chances
Pour les reprendre après Para que se recupere depois
Allez, venez, Milord Venha, Milord
Vous avez l'air d'un môme Você parece uma criança
Laissez-vous faire, Milord Deixe-se levar, Milord
Venez dans mon royaume Venha para o meu reino
Je soigne les remords Eu curo a saudade
Je chante la romance Eu canto o romance
Je chante les milords Eu canto os milords
Qui n'ont pas eu de chance Que não tiveram sorte
Regardez-moi, Milord Olhe para mim, Milord
Vous n'm'avez jamais vue Você nunca me viu
Mais... vous pleurez, Milord? Mas... você está chorando, Milord?
Ça... j'l'aurais jamais cru Nisso... eu jamais acreditaria
Eh ben, voyons, Milord Bem, vejamos, Milord
Souriez-moi, Milord Sorria para mim, Milord
Mieux qu' ça, un petit effort Melhor que isso, um esforcinho
Voilà, c'est ça Isso, assim mesmo
Allez, riez, Milord Vamos, ria, Milord
Allez, chantez, Milord Vamos, cante, Milord
La-la-la...
Mais oui, dansez, Milord Sim, dance, Milord
La-la-la... Bravo Milord Bravo, Milord
La-la-la... Encore Milord Continue, Milord
La-la-la...
O portal France.fr, criado para divulgar a França no mundo, foi relançado hoje, depois de um período offline para resolver uma série de problemas técnicos. O site ainda não tem versão em português — somente em francês, inglês, espanhol, alemão e italiano. Ainda assim, é uma boa fonte para quem quer descobrir o país: reúne mais de 3.000 páginas, 12.000 links e 1 milhão de documentos indexados.
Os textos são divididos em cinco categorias. Em Connaître, há dados sobre história, geografia, língua, economia e cultura do país. Em Visiter, se indicam lugares a conhecer. Vivre, Etudier, Travailler e Entreprendre mostram o passo-a-passo para se viver, estudar, trabalhar ou abrir um negócio na França. Um universo — ou melhor, um país — de informações reunido num portal.
Para ler em francês, as primeiras páginas de Les hommes-couleurs, romance de estreia de Cloé Korman, ganhador do Prix du Livre Inter 2010.
1 - Mexico - 1945, sous la pyramide
Elle ne sait pas que cet endroit s'appelle l'Allée des Morts. Au lieu de la tenue de sacrifice, elle a mis une casquette de baseball et une paire de jeans, et elle avance sans crainte. Florence ne saura jamais où est passé le temps pendant qu'elle parcourait les deux mille mètres de caillasse qui la séparaient de la pyramide - elle s'arrête souvent parce qu'elle a chaud, pendant plus d'une heure elle reste même à l'abri d'un auvent où on peut acheter de la bière à une toute petite fille dans un tablier mauve, et quand elle ressort ses dernières pensées sont distillées par la chaleur, elle continue d'un pas drôlement léger, saluant au passage les agaves au long cou, dont les têtes ont éclaté dans le ciel en fleurs noires et bouclées.
Peu après être arrivée sur le chemin, elle s'est retournée en entendant quelqu'un l'appeler : c'était le chauffeur qui l'avait amenée depuis son hôtel du centre-ville jusqu'à Teotihuacán, et qui lui courait après parce qu'elle avait oublié sa casquette dans le taxi. Ainsi la casquette des Red Sox, bleu foncé avec un B rouge, ne la rejoint sur ce parcours qu'après une centaine de mètres : la tête encore nue, elle redonne quelques sous au chauffeur et, pour la première fois depuis qu'ils sont partis de Mexico, elle regarde en face ce masque de colère, qui ne voit pas ce que vient fabriquer une jeune Américaine seule en blue-jeans dans l'Allée des Morts. Tandis qu'il retient la casquette serrée entre ses mains elle peut voir ses joues creuses, brunes et lisses comme un cuir, et ses yeux blancs qui par contraste semblent presque calcifiés dans leurs creux saignants, comme sont les dents à l'intérieur de sa bouche ouverte et sans lèvres. Il y a peut-être un tarif spécial pour entrer dans ce lieu, pense-t-elle en fouillant dans sa poche pour trouver encore de la monnaie, mais il ne veut pas me le dire, il faut que je devine. Et comme ce n'est pas son genre de trouver aux hommes des têtes d'assassins, elle avance gentiment la main vers la casquette bleue à B rouge, la remet sur sa tête, sourit, et malgré le regard posé dans son dos, elle recommence à marcher.
Au bout de l'allée, la Pyramide de la Lune respire, les flancs dans la poussière. Les pierres hérissées sur ses pentes projettent des ombres instables, dilatées par les traces de ciment. Quand Florence arrive au pied du talus, la pyramide est déjà maculée de rouge, ses pierres sont gonflées et humides, elle transpire. Peut-être une maladie ou de la fièvre, pense Florence tandis que ses yeux fouillent en vain ses hauteurs inaccessibles à la recherche d'une ouverture. Et pourtant elle respire, se dit-elle, il doit bien y avoir une bouche ou un passage vers l'intérieur - et s'il y a un tunnel où mène-t-il ?
Elle se décide tout juste à entamer son ascension quand elle perçoit un léger tremblement dans la façade : comme une goutte d'encre qui se diffuse dans un verre d'eau, quelque chose enfle et s'étire sur les degrés roses. La forme peu à peu se détache de son ombre, elle produit en grandissant deux bras et deux jambes - puis se met en marche. Florence la regarde maintenant qui accomplit sa descente en équilibre précaire, son ombre retenant son corps telle une bouée à travers la lumière. Par la commissure de l'escalier central, la pyramide livre passage à ce tout petit être qui avance en mettant les deux pieds sur chaque marche et en étendant les bras de chaque côté comme s'il prenait appui sur l'air. Une silhouette carrée, brune comme son ombre, et très petite, même en additionnant le bonhomme et son ombre elle se rend bien compte qu'il ne doit pas être plus grand qu'un pied de haricots : « Un enfant, pense-t-elle. Et il va se casser la gueule. »
Elle a déjà gravi les trois premières marches lorsque surgit un homme couvert de poussière, livide et à bout de souffle. La tête renversée en arrière, il s'époumone dans une langue qu'elle ne connaît pas, de sorte qu'elle ne peut distinguer s'il crie des injures ou marmonne des histoires drôles à l'intention du bonhomme perché sur l'escalier : « Je t'ai cherché partout ! T'es un voyou, descends ! » et dans le même souffle : « Non surtout ne bouge pas, je t'interdis de bouger, ne descends pas, je viens te chercher, j'arrive. T'es un voyou, j'arrive. »
Avant de se précipiter dans l'escalier, il se tourne vers Florence et pour la première fois prononce un mot en espagnol, un bête Gracias, avec des larmes pas essuyées et un sourire immense, puis il ajoute une phrase qui est invraisemblable, il faudra à Florence de nombreux jours pour se rendre compte que c'est une proposition invraisemblable : « Attendez-moi ici, je vais le chercher » - et elle répond d'accord et se met tout naturellement à attendre au pied de l'escalier où l'homme se précipite, elle attend qu'il revienne, qu'il cueille l'enfant fugueur et l'enferme dans ses bras, qu'ils reviennent tous les deux, lui et ce bonhomme petit comme un pied de haricots, brun comme son ombre, elle les attend avec impatience, comme si elle les connaissait depuis toujours.
Tube de l’été: é assim que os franceses chamam a música que dá o tom de cada verão no país. Todo ano, quando a estação chega, cantores e bandas apresentam suas candidatas a hit. Normalmente, são faixas de batida acelerada, com influência africana ou latina. Desta vez, porém, predominam as de levada folk e soul. O Traduzindo a França selecionou cinco músicas que disputam o título de mais tocada, aquela que vai ficar marcada como tube do verão 2010.
1. Gaëtan Roussel - Help myself (Nous ne faisons que passer)
Por que aprender francês? Era a primeira vez que aquele amigo me fazia essa pergunta, ainda impactado por uma recente viagem a trabalho a uma ex-colônia francesa. No período em que esteve fora, o choque cultural levou-o a questionar seu conhecimento sobre o mundo.
Sentira-se analfabeto, desinformado, ignorante. De início, não entendera nem sequer um "merci". As placas espalhadas pelas ruas nada significavam para ele. Sua curiosidade em relação aos hábitos locais era repreendida com expressões de estranhamento e risadas, que só agravavam sua sensação de não-pertencimento.
No dia seguinte à volta, num encontro para contar as descobertas, ele me fez a tal pergunta. Na verdade, o correto seria dizer que ele se fez a tal pergunta. Eu, única pessoa a falar francês em seu círculo de amizade, tentei responder racionalmente. "Para melhorar o currículo", "para conhecer a cultura", "para se comunicar com mais gente". Papo de restaurante.
Ao nos desperdirmos ele estava convencido: se inscreveria num curso. Ao nos reencontramos ele estava dividido: por que mesmo deveria aprender francês? No período que separou os dois encontros, outros amigos haviam questionado sua decisão. "Mais pessoas falam espanhol", sugeriu um. "Francês é uma língua morta", exagerou um segundo.
Então, ele me refizera a pergunta: por que mesmo aprender francês? Repeti meus argumentos, mas seus olhos apertados ao me encarar demonstravam que ainda não o havia convencido. A inscrição no curso só se daria depois de seu chefe o encorajar a estudar a língua, se oferecendo a pagar as mensalidades, vislumbrando novas viagens à ex-colônia.
O primeiro dia de aula, alguns dias atrás, se incumbiu de responder em definitivo a tal pergunta. Entre "salut", "bonjour", "merci" e "au revoir", meu amigo conseguiu notar que seu raio de visão se expandira — minimamente, mas se expandira. Agora entendia as origens de souvenir, elle. Descobertas simples, mas que apontam para um futuro de descobertas amplas.
Curiosamente, a semana do seu ingresso no curso de francês concidiu com a semana da minha saída. Momento de refletir sobre os anos de dedicação ao aprendizado da língua, que incluiu a criação desse blog, e observar os primeiros passos de um amigo no aprendizado da língua.
Reflexão que faz lembrar a frase "O mundo é um livro do qual aqueles que nunca viajaram leram somente uma página". Talvez possamos dizer também que o mundo é um livro do qual aqueles que falam apenas uma língua leram somente uma página.